segunda-feira, 23 de junho de 2008

O Jogador Perfeito - Parte II

Dando continuidade a série de artigos sobre o jogador perfeito segundo Guga, vamos analisar o backhand de David Nalbandian.

GRIP
Nalbandian utiliza continental na mão direita e, na mão esquerda algo bem próximo a um western o que, em outros jogadores, pode atrapalhar o giro necessário do pulso para execução do top spin. Mas Nalbandian consegue utilizar esta empunhadura tanto para bolas com potência como pra bolas com efeito.

PREPARAÇÃO/BACKSWING
Quando inicia a preparação, Nalbandian eleva ligeiramente a cabeça da raquete conforme inicia o movimento de backswing e, nesta preparação, que em minha opinião é melhor do que aquela na qual o jogador inicia com a raquete paralela ao solo mas não eleva a raquete atrás do corpo, o jogador tem que derrubar a cabeça da raquete rapidamente no final do backswing para poder imprimir maior top spin à bola. Note na seqüência abaixo o trabalho de elevação da raquete durante o backswing.

Repare que Nalbandian não derruba a cabeça da raquete bruscamente, o que o permite ter uma terminação de golpe não tão dependente de seu trabalho com os pulsos.


PONTO DE CONTATO
Nalbandian, pouco antes do contato começa a transferir o peso de seu corpo da perna esquerda para a direita e os joelhos estão levemente flexionados, o que ajuda no equilíbrio e na execução do spin. Alguns jogadores sentem que uma maior flexão dos joelhos pouco antes do impacto ajuda a imprimir maior spin quando necessário, e vemos isto claramente no backhand de Nalbandian. Finalmente, na hora do contato da raquete com a bola, repare que este é feito bem à frente do corpo (fato este que pode ser visto através da quase que total extensão do braço esquerdo) e esse ponto de impacto à frente do corpo o ajuda muito na hora de mudar a direção da bola. Esta preparação de Nalbandian, com o braço bem estendido e com o ponto de contato bem à frente enfatiza aquilo que é dito por vários técnicos, que o backhand com duas mãos se assemelha muito a um forehand, pois o braço esquerdo realiza praticamente todo o trabalho, sobrando para o direito simplesmente a função de equilíbrio do golpe. Repare na seqüência abaixo como, na primeira foto Nalbandian está apoiando o peso na sua perna esquerda e no fim da seqüência ele já transferiu o peso para a perna direita. Repare também a extensão do braço no momento do impacto.


TERMINAÇÃO
Em função do excelente trabalho na preparação do golpe, Nalbandian termina com uma perfeita rotação dos quadris e ombros, o que lhe ajudará muito na hora de imprimir potência e, devido à extensão do braço esquerdo consegue terminar com o ombro esquerdo quase que a 90° do solo.


domingo, 15 de junho de 2008

O Jogador Perfeito - Parte I

Hoje vamos dar início a análise dos golpes daquele que, segundo Guga, seria o jogador perfeito. Em recente entrevista Guga mesclou golpes de vários jogadores para definir o que, para ele seria o jogador completo. Os golpes e respectivos jogadores eram:
Forehand - James Blake. O norte-americano tem pouca amplitude no golpe e ainda assim consegue imprimir enorme velocidade à bola.
Backhand - David Nalbandian. O golpe com duas mãos permite ao argentino trocar com grande facilidade a direção da bola e seria um dos segredos para incomodar tanto Roger Federer.
Saque - Andy Roddick. Segundo Guga, é um movimento solto e que, quando pega em cheio, não tem mesmo qualquer defesa.
Voleio - Roger Federer. Movimento muito natural, preciso e leve.
Concentração - Rafael Nadal. Está sempre dentro do jogo e impõe respeito até mesmo a Federer.
Carisma - Novak Djokovic. Com suas imitações e jeito divertido, consegue interagir com o público.
Vamos começar analisando o forehand de James Blake.
Segundo Guga, o forehand de Blake é um golpe com pouca amplitude e muita potência e a seguir vamos analisa-lo desde o grip até a terminação.
Grip
Para situarmos o grip de James Blake dentre os clássicos existente, dizemos que ele utiliza o grip semi-western. No entanto, assim como Federer, Blake mantém parte de sua mão fora da raquete, o que a deixa um pouco mais solta e portanto faz com que ele consiga trabalhar “entre grips”. Ao contrário de Federer que possui um grip um pouco mais conservador (mais próximo do eastern), o de Blake tende a se encontrar mais próximo do semi-western. Este grip semi-western um pouco modificado e com a mão mais em baixo permite também uma maior utilização do pulso, o que ajuda Blake na hora de gerar potência e efeito.

Pés e Backswing

Como a maioria dos jogadores que utilizam grips mais extremos (semi e full western), Blake quase sempre entra na bola em posição aberta ou semi-aberta, o que proporciona uma rotação completa de quadril e ombros.
No entanto, o que mais chama atenção no golpe de Blake (e que foi considerado por Guga) é a amplitude de seu movimento, ou seja, o tamanho da rotação de seu braço ao redor dos ombros. Talvez por ser um jogador que cresceu em quadras rápidas, Blake conseguiu aliar um curto backswing com uma potência semelhante a jogadores como Gonzalez, e isto é um diferencial, pois com movimentos menores o jogador ganha muito mais tempo para execução do golpe. Sua potência vem de dois fatores, a máxima utilização do pulso no final do backswing, e da rotação completa dos quadris e ombros antes e depois do impacto.
Na foto abaixo vemos Blake entrando em posição aberta para execução de forehand e em comparação com Gonzalez, podemos ver a diferença da amplitude do backswing.

Ponto de Contato

O ponto de contato de Blake se situa a frente do corpo, mas pela extensão de seu braço notamos que este ponto poderia ser um pouco mais a frente. No entanto este ponto de contato totalmente a frente facilitaria o trabalho do pulso e conseqüentemente ajudaria a gerar mais efeito e portanto acredito que este atraso se deve à busca de Blake por mais potência em detrimento do efeito.
Na foto abaixo repare a diferença da extensão do braço de Blake em relação a Federer, que é conhecido como o jogador que mais busca o ponto de contato à frente do corpo no circuito profissional.



Terminação

Uma das maiores evoluções do golpe de forehand, além do gripe foi a utilização total da rotação do tronco e ombro para a execução do golpe. Até a bem pouco tempo atrás, os jogadores giravam o tronco e ombro e terminavam o golpe com seu ombro direito (quando destros) quase paralelo a linha de base. No forehand moderno como o de Blake esta rotação pode chegar até 180°, ou seja, na terminação do golpe o ombro direito termina a 90° ou mais em relação a linha de base.

No caso de Blake a raquete termina abaixo da linha do ombro, mas isso não é um fator determinante na potência de seu golpe, e sim a utilização máxima da rotação do quadril e ombros.




domingo, 8 de junho de 2008

Cinco Passos Para Vencer No Saibro


Umas das grandes dúvidas que hoje pairam sobre o mundo do tênis é se Federer conseguirá vencer o Aberto da França algum dia, ainda mais depois desta derrota esmagadora que Nadal lhe impôs hoje.
Na verdade, vários técnicos dizem que é bem provável que ele encerrará sua carreira sem conseguir o título que hoje creio, seja seu maior sonho.
Além de Federer, grandes jogadores não conseguiram triunfar nas quadras de Paris. Sampras, considerado por muitos como o maior jogador de todos os tempos é um exemplo, e junto a eles podemos fazer uma lista de grandes jogadores que também falharam em Roland Garros. Jogadores como Tilden, Newcombe, Ashe, Connors, McEnroe, Becker, Edberg são alguns exemplos.
Porque jogadores com carreiras espetaculares que fizeram história no tênis não conseguem conquistar o título em Roland Garros? Porque a temporada de saibro é aquela em que os títulos dos grandes torneios sempre ficam nas mãos de uns poucos jogadores, denominados no circuito como especialistas em saibro?
Segundo Philippe Azar, são 5 as características comuns a estes jogadores e que os diferenciam dos demais.
1. Paciência;
2. Recuperação;
3. Inteligência;
4. Consistência;
5. Resistência
Apesar dos grandes jogadores acima citados terem triunfado em alguns torneios que antecedem o Grand Slam francês combinando alguns desses elementos, nenhum deles foi capaz de manter esta combinação durante as duas difíceis semanas de jogos em 5 sets de Roland Garros.

Paciência

Especialistas em saibro quando entram em um jogo sempre tem em mente o pensamento de que reconhecem e aceitam o fato de que aquela quadra será sua casa pelas próximas horas e, no que depender dele, não haverá tentativas de “encurtar” este período. Eles simplesmente vêem cada ponto como um jogo diferente, eles lutam e dão o máximo durante todos os pontos, games e sets da partida. Jogar pontos longos é uma regra e eles parecem se renovar física e tecnicamente a cada início de ponto.

Recuperação

No saibro, a duração média de um ponto chega a ser 5 vezes mais longa do que jogos em outras superfícies. A média de duração de pontos em superfícies rápidas fica em torno de 2 a 3 segundos, enquanto que no saibro esta média se eleva para 10 a 12 segundos. No entanto, o tempo de recuperação entre um ponto e outro, ou ainda entre games é o mesmo, independente da superfície onde está sendo jogado o torneio. O especialista em saibro se diferencia devido a sua habilidade de se recuperar rapidamente entre pontos e entre jogos em torneios de saibro.

Inteligência

Os especialistas em saibro vêem o jogo como uma partida de xadrez, onde antecipação e paciência são elementos chave para o sucesso.
Jogadores como Thomas Muster ou Rafael Nadal possuem uma sólida habilidade defensiva, procurando sempre fazer seu adversário bater uma bola a mais e, principalmente, possuem a capacidade de antecipar a jogada de seus oponentes, característica básica de um jogador com base defensiva. Esses jogadores sabem que no saibro a combinação saque, devolução e winner não ocorre freqüentemente, diferente de outras superfícies. No saibro, a velocidade da bola é absorvida pela superfície, tornando muito mais difícil a definição do ponto. Para se ter uma idéia, na grama a bola mantém aproximadamente 70% de sua velocidade após o contato com o solo, enquanto no saibro este índice cai para 59%. A diferença pode não parecer muito grande, mas é significativa quando um jogador tem que responder uma bola de ataque de seu oponente.

Consistência

Os grandes jogadores de saibro passam grande parte de seu treinamento praticando bolas de golpes de fundo, pois sabem que além da consistência nestes golpes, eles precisam desenvolver a habilidade de manter golpes com profundidade constante, impedindo assim o ataque de seus oponentes.
Quando falamos em saibro, temos de lembrar que 55% (ou mais, dependendo do jogador) dos golpes em uma partida são golpes de fundo, número este que mostra a importância da consistência e profundidade dos mesmos.
Obviamente, o golpe mais usado por estes jogadores é o topspin, devido a sua característica de imprimir efeito gerando profundidade e também por ser um golpe de fácil controle que gera consistência.

Resistência

Cada golpe, cada movimento cada passo que um jogador dá durante uma partida de tênis diminui sua resistência, colocando-o mais perto de seu limite. Jogadores especialistas em saibro demoram mais a chegar neste limite, fazendo-nos crer que quanto mais o jogo se estende, mais eles querem alonga-lo.
Jogadores como Muster, Nadal e Chang parecem não ter limite, tornando-se quase que impossível vence-los pelo cansaço, que o diga Lendl que mesmo jogando contra um Chang sofrendo de câimbras no Roland Garros de 1989 não conseguiu derrota-lo após mais de 4 horas de jogo.

Quando analisamos estes fatores que diferenciam um especialista em saibro dos demais jogadores, entendemos o porque da opinião de muitos especialistas que dizem que Roland Garros é o Grand Slam mais difícil de ser conquistado. Habilidades estratégicas, físicas e técnicas são exigidas ao extremo neste torneio, e a combinação destas habilidades durante duas semanas e em jogos de 5 sets que podem demorar mais de 4 horas tem derrubado grandes nomes do tênis durante os últimos anos, que apesar de carreiras brilhantes e indiscutíveis acabam aposentando-se sem conseguir triunfar no saibro francês.

domingo, 1 de junho de 2008

Biomecânica - Parte III

Nessa última parte de nosso estudo sobre biomecânica, vamos estudar a cadeia de coordenação. A cadeia de coordenação compreende os segmentos do corpo humano que, quando em um golpe, possuem uma atividade em série, ou seja, um segmento é utilizado em seqüência de outro, e parte da força e da velocidade gerada no primeiro segmento é transportada ao segmento seguinte.
Isto nos leva a concluir, que a importância da cadeia de coordenação para biomecânica no tênis, é a coordenação dessa transferência de forças entre os segmentos do corpo, ou seja, quanto mais perfeita esta coordenação, maior a aceleração e execução do golpe no final da cadeia.
Os segmentos do corpo estudados na biomecânica aplicada ao tênis são: pernas, quadril, tronco, braço/ombro, cotovelo e pulso.
Para cada segmento existe um foco principal de estudo em biomecânica, que são:
Pernas - flexão e extensão dos joelhos. Veja na seqüência abaixo, o trabalho de extensão e flexão dos joelhos de Gustavo Kuerten durante o saque.


Quadril - rotação do quadril; Na seqüência abaixo a rotação do quadril de Hewitt durante o saque.


Tronco - rotação do tronco; Veja na seqüência abaixo, Moya utilizando ao máximo a rotação do tronco antes e depois de executar um forehand.



Braço/Ombro - rotação do braço ao redor do ombro; Observe a rotação do braço de Sampras durante a execução do backswing de um forehand.



Cotovelo - extensão do cotovelo e pronação do antebraço; Na seqüência abaixo, vemos na primeira foto o trabalho de extensão do cotovelo de Roddick durante o movimento do saque, e nas duas últimas a pronação do antebraço.



Pulso - flexão do pulso. Abaixo, Guga executando a rotação e flexão do pulso em uma terminação de forehand.



Qualquer golpe no tênis passa por esta cadeia de segmentos, e a perfeita execução deste golpe está diretamente ligada com a perfeita coordenação dos segmentos acima descritos.
O golpe, sempre deve iniciar-se em sentido ascendente partindo do solo e deve ser sincronizado e progressivo. Qualquer força ou aceleração diferente da exigida na sincronia do golpe em qualquer um dos segmentos influencia no resultado do golpe final, ou ainda, qualquer progressão que não respeita a ordem: pernas - quadril - tronco - braço/ombro - cotovelo - pulso também irá influenciar negativamente no golpe.
Os principais problemas encontrados na cadeia de coordenação e suas conseqüências são:
1. Não utilização de um dos segmentos do corpo – perda de potência e maior probabilidade de lesão;
2. Má sincronização de força e/ou velocidade de um dos segmentos do corpo – perde de potência e/ou de controle;
3. Uso ineficiente de um dos segmentos do corpo – falta de potência no golpe;
4. Utilização de parte desnecessária do corpo – perde de controle no golpe.
Por último, quando o atleta consegue utilizar de maneira eficiente e coordenada todos os segmentos do corpo, os principais resultados alcançados são:
1. Alcance máximo de potência;
2. Controle total do golpe;
3. Tempo maior para atingir o estado de fadiga;
4. Evita e/ou diminui lesões.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Biomecânica – Parte II


Dando continuidade a nosso estudo sobre biomecânica, hoje discutiremos mais dois princípios biomecânicos utilizados no tênis, que são Momentum (Massa x Velocidade) e Energia Elástica.
Momentum
A relação massa x velocidade, é a força gerada por um corpo e no tênis, existem dois tipos de força a serem estudados, a Linear e a Angular.
A Linear ocorre quando a transferência do peso do corpo em direção ao golpe ocorre em linha reta. O exemplo mais comum aqui é o slice de backhand.
Repare na seqüência abaixo, como Federer quando executa o slice de backhand utiliza ao máximo sua força linear, pois repare que desde a preparação até a terminação, a rotação de ombro e quadril é nula.


Em contrapartida, a força angular é produzida utilizando-se da rotação dos quadris e ombros, como notamos na seqüência de forehand abaixo, onde Fernando Gonzalez utiliza ao máximo a rotação de ombro e quadril para gerar força em seu golpe.


Energia Elástica

A energia elástica é a energia armazenada como resultado do estiramento de um músculo, ou seja, toda vez que um músculo está sendo estirado, existe uma força ou energia que está sendo acumulada neste processo, e esta energia é constantemente utilizada nos golpes de tênis. O exemplo mais comum é o split-step, o qual armazena energia nas pernas e libera esta energia quando aterrissa, impulsionando o corpo do atleta. Nas fotos abaixo, vemos dois momentos no saque de Roddick em que ele está utilizando a energia elástica. Na primeira foto, ele estende o abdômen e utiliza a energia armazenada para pegar a bola o mais alto possível, e na segunda foto, vemos ele armazenando energia no braço que será utilizada no momento da pronação.



Esses são os dois princípios do blog de hoje, no próximo veremos o último princípio, que é a cadeia de coordenação.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Biomecânica - Parte I

Hoje em dia, em qualquer clube ou academia que se ensine tênis e, sobretudo que tenha uma equipe de treinamento, é muito comum ouvirmos falar em biomecânica, mas afinal o que é isso?
Biomecânica é o estudo do movimento humano, e é através dela que podemos estudar e definir os golpes e movimentos de um jogador e tentar fazer com que estes rendam com eficácia máxima.
Através do estudo da biomecânica, tentamos estabelecer o golpe com a melhor combinação de potência e controle e que reduza o máximo possível o risco de lesões.
Para estudar a biomecânica, antes de nos atermos aos golpes em si, é necessário entendermos alguns princípios biomecânicos. No tênis, os princípios biomecânicos utilizados são:
· Equilíbrio;
· Inércia;
· Ação e Reação;
· Momentum (Massa x Velocidade);
· Energia Elástica;
· Cadeia de Coordenação.
Nesse artigo, estudaremos o equilíbrio, a inércia e a ação e reação.

Equilíbrio

Existem dois tipos de equilíbrio, o estático (quando o corpo está parado) e o dinâmico (quando o corpo está em movimento) e, no tênis, que é um esporte de movimento constante, o que nos interessa é o equilíbrio dinâmico.
Aqui, temos que observar se o jogador mantém uma linha vertical (ou próximo disso) desde o solo até a cabeça quando executa um golpe em movimento.Veja na foto abaixo, como Juan Carlos Ferrero, apesar de estar em movimento mantém o corpo quase que totalmente na vertical, demonstrando um belo exemplo de equilíbrio dinâmico.



Inércia

A definição de inércia é: “Qualquer corpo em movimento retilíneo e uniforme (ou em repouso) tende a manter-se em movimento retilíneo e uniforme (ou em repouso).”
No tênis, sofremos a ação da inércia em diversas situações durante um jogo ou treino, ou seja, constantemente estamos sentindo a resistência do corpo ao mover-se ou quando tem que parar.
Quando o jogador está posicionado para devolução de saque, seu corpo está em repouso e deve enfrentar a resistência do mesmo em continuar parado no momento em que o adversário executa o serviço, executando o spli-step e se preparando para sair para um dos lados para executar a devolução.
Ou então, quando o jogador se movimenta para frente para buscar uma bola curta, deve, após executar o golpe, parar o movimento e mudar a direção do mesmo para se posicionar para a bola seguinte.
O estudo da inércia nos golpes é de extrema importância, pois o tempo que o jogador leva para executar movimentos como os descritos acima é de extrema importância para seu desenvolvimento em um jogo.Na foto abaixo, vemos Ana Bogdan enfrentando a resistência que seu corpo tem de permanecer parado, pois estava em repouso.




Ação e Reação
A Terceira Lei de Newton, também conhecida como a Lei da Ação e Reação diz que quando um corpo exerce uma força sobre outro corpo, recebe deste uma força de mesma intensidade, direção e sentido oposto à força aplicada.
No tênis, podemos observar isto em várias situações. Quando um jogador inicia seu movimento de saque, primeiro exerce uma força contra o solo ao flexionar os joelhos (ação) e em seguida sofre uma força de mesma intensidade e direção, mas em direção oposta ao saltar para golpear a bola (reação).
Podemos notar isso na seqüência de Roddick abaixo.


Este é também um princípio de extrema importância, pois todo golpe inicia-se com uma força exercida sobre o solo, e é este início ou força inicial que irá definir e influenciar o desenvolvimento do golpe ou movimento.
Esses são os três princípios do blog de hoje. No próximo, escreverei sobre momentum (massa x velocidade), energia elástica e, no último sobre a cadeia de coordenação, que em minha opinião é o princípio mais importante para técnicos e professores de tênis.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O Forehand Moderno - Posicionamento, Equilíbrio e Transferência de Peso

Como qualquer golpe hoje em dia, o forehand é uma poderosa arma para jogadores em todos os níveis, seja ele executado na zona de conforto (bolas próximas) ou em movimento. Mas para a máxima utilização dessa arma, 3 fatores devem ser lembrados e utilizados freqüentemente.
Posicionamento, equilíbrio e transferência de peso são técnicas inerentes ao golpe e devemos entende-los como:
§ Posicionamento: a posição do corpo (pés, pernas, tronco, ombros, braço, cotovelo e mãos) antes do contato da raquete com a bola;
§ Equilíbrio: o mesmo descrito acima, logo antes e no momento do impacto com a bola;
§ Transferência de peso: a posição e movimento do corpo durante e após o impacto com a bola.

Posicionamento
Um dos erros mais comuns na execução do forehand é encontrado na preparação do golpe, ou seja, no início do backswing que sempre que possível deve ser feito antes do quique da bola, além disso, como hoje se utiliza a posição aberta (open stance) em quase 100% dos golpes, o jogador tende a passar com a cabeça a linha do joelho direito (caso seja destro) no momento da preparação do golpe, e isso faz com que após o impacto o jogador continue concentrando o peso do corpo no mesmo pé, quebrando assim a transferência de peso.
Para correção na preparação, temos que notar se, antes do quique da bola os pés e o posicionamento da raquete no backswing estão corretos. A raquete deve estar atrás do corpo na posição de espera, que é um pouco atrás da linha do corpo e com a cabeça para cima, e os pés devem estar no solo, sendo que o pé direito (se destro) deve estar de paralelo a 45º da linha de base. Além disso, vale notar que o braço esquerdo (quando destro) se encontra quase que paralelo a linha de base, devido a rotação dos ombros antes do impacto com a bola.
Uma maneira simples de identificarmos o correto posicionamento do jogador na hora da preparação é traçarmos uma linha reta e vertical imaginária partindo do joelho direito do jogador. Quando a cabeça do jogador estiver ultrapassando esta linha, o peso do corpo está desbalanceado e deve ser corrigido. Vale notar também que a correta flexão do joelho ajuda muito este tipo de correção.
Este posicionamento correto, além de útil para o equilíbrio, é também essencial para a rotação completa do corpo antes, durante e depois do golpe.





Equilíbrio
O equilíbrio na execução do golpe se refere ao ponto onde devemos concentrar o peso do corpo no momento do impacto da raquete com a bola. No forehand em posição aberta, um dos erros mais comuns em relação ao equilíbrio ocorre quando o jogador concentra o peso do corpo em direção ao seu braço esquerdo ou direito, quando a melhor maneira de obter controle total do golpe é concentrando o mesmo no centro do corpo, ou o mais próximo disto.
No momento do impacto o corpo do jogador deve estar quase que totalmente reto, não tendo nenhum ou quase nenhum grau de inclinação para quaisquer lados. Este posicionamento correto, além de útil para o equilíbrio, é também essencial para a rotação completa do corpo durante o golpe. Repare na foto abaixo, como José Pereira, executando um forehand em movimento, apesar de estar iniciando a rotação dos ombros mantém o tronco praticamente reto, com o joelho corretamente flexionado e a cabeça bem posicionada atrás da linha do joelho esquerdo.


Note também, na foto abaixo que, mesmo com a rotação do tronco já iniciada, Federer mantém a cabeça imóvel, ajudando com isto a manutenção do equilíbrio durante a rotação. Repare que a cabeça dele só irá acompanhar a bola após o término da rotação.
Como a rotação do tronco já foi iniciada, note que apesar do pé direito de Federer se encontrar no solo, é bem claro que o peso de seu corpo não está mais concentrado neste pé, pois aqui ele inicia a transferência de peso. Dependendo do tipo de bola, neste momento o jogador nem se encontra com os pés no solo.


Transferência de Peso
Por último, completando o movimento do golpe, temos que analisar a transferência de peso durante a execução do forehand. A transferência deve ser do lado direito do corpo para o lado esquerdo do corpo.
É comum vermos jogadores que iniciam o golpe concentrando o peso na perna direita, mas na seqüência não transferem o peso a outra perna, seja porque projetam o corpo para trás, mantendo o peso na perna direita, ou ainda porque quebram a transferência simplesmente trocando o posicionamento do pé direito pelo esquerdo. A correta transferência de peso, além de manter o equilíbrio do corpo, permite uma melhor utilização do mesmo, imprimindo maior potência ao golpe, além de posicionar o jogador para a recuperação de quadra e execução do golpe seguinte.